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Lendas do arcoris ou... 
Histórias do arco-da-velha

                                        Um rastro luminoso de cores rasga os céus da Catland, após uma tarde de chuva. O papagaio Lero-Lero aparece correndo, isto é... voando... pra lá e pra cá, depressa e tagarelando:
                                        - Olhem o arco-da-velha! Currupaco! Olhem o arco-da-velha! Currupaco! Lero-lero, currupaco!
                                        O gato Lelinho Babá, a filhote Pelucinha e a cadela Capuchinha correm para ver.
                                        - Não é arco-da-velha, não, grita Pelucinha. - É o arco-íris!
                                        - É arco-da-velha! Currupaco! Arco-da-velha! - fica berrando o Lero-Lero.
                                        Capuchinha, que é muito inteligente e estudiosa, intervém:
                                        - Nem arco-da-velha, nem arco-íris! É o espectro solar!!
                                        - Espectro solar?! Que palavrão é esse, Capuchinha? - gritam todos ao mesmo tempo. - Lá vem a sabichona querendo saber mais que a gente!
                                        - Vocês não acreditam? Pior para vocês! Vão continuar ignorantes, sem saber a verdade científica! - fala Capuchinha, cruzando os braços, com ar de superioridade.

                                        Lelinho Babá, que assiste à cena, faz uma proposta:

                                        -Vamos chamar a Suzicat para esclarecer se é arco-íris, arco-da-velha ou espectro solar!
                                        - Tudo bem, vamos! - concordam todos.

                                        A turminha procura Suzicat, que fica ouvindo. É Lelinho Babá quem mostra o fenômeno, apontando o céu, e explica:
                                        - Suzicat, a Pelucinha diz que aquilo é o arco-íris; o Lero-lero afirma que é o arco-da-velha e Capuchinha fala que é o espectro solar. Quem está com a razão?
                                        - Todos! - diz Suzicat.
                                        - Todos?! Como assim? - a turminha arregala os olhos, curiosa.
                                        - Bem, existem diversas formas de conhecimento, esclarece Suzicat. O conhecimento popular, o conhecimento científico... Do ponto de vista popular, como a cultura do povo já tornou tradição, é comum dizer-se arco-da-velha, arco-íris. Agora, quando se estudam as causas do fenômeno, do ponto de vista científico, fala-se em espectro solar.
                                        - Ah, bom... todos ficam olhando para Suzicat, com curiosidade, com aquela expressão de “quero saber mais”.

                                        Suzicat começa a contar, então:
                                        - Os povos antigos e, até hoje, populações de alguns pontos do planeta pensam que o surgimento do arco-íris é um sinal dos deuses. Os povos sempre observaram que o fenômeno acontece após uma chuva.Acontece que a luz branca do sol é uma "mistura de todas as cores". Após uma chuva, pela manhã ou à tarde, quando o sol incide seus raios, sua luz branca, sobre as gotinhas de água, estas servem como prismas que dividem a luz branca do sol em diferentes comprimentos de ondas, ocasionando as diferentes cores - o espectro solar.

Muitas lendas cercam o acontecimento. Uma delas diz que, no final do arco-íris, existe um pote cheio de moedas de ouro. Se alguém estiver disposto a ir até o final do arco-íris, vai encontrar o pote de ouro e ficar rico...
               Ouvindo isso, todos ficam de boca aberta! Quem diria, heim?
                                        - Um pote cheio de moedas de ouro!... a turminha arregala ainda mais os olhos, com ar sonhador. Puxa... quanta coisa dá pra fazer com um pote cheio de moedas de ouro!... 
                                        - É mesmo, diz o Lelinho! Agora eu me lembro de que, uma vez, o coelho Tic-Tac quis ir buscar o pote, mas desistiu porque achou que seria muito pesado...
                                        Mas o papagaio Lero-Lero, de repente, fala:
                                          - Currupaco! Pra que eu quero um pote de ouro? Eu quero é um pote de milho... ou de semente de girassol, que eu adoro!Ou cheio de frutas! Currupaco!

                                          Suzicat continua:
                                          - Outra lenda diz que, se alguém passar por baixo do arco-íris, transforma-se, muda de sexo! Quem é homem vira mulher, quem é mulher vira homem!
                                         - O quê?! dessa vez, todos começam a rir. Eu, heim? Nem pensar!!

                                         - A expressão “arco-da-velha”, explica Suzicat, também é utilizada para qualificar histórias  antigas, interessantes, fantásticas,  ou seja, “histórias do arco-da-velha”.
                                         - Ah, Suzicat, - diz Capuchinha, como as histórias que você vive contando para nós! São histórias  “do arco-da-velha”, heim?
                                         - Pode ser, responde Suzicat, sorrindo. Depende de como você percebe a história...
                                         - Bem, diz o Lelinho Babá. Ninguém aqui vai querer passar embaixo do arco-íris, eu acho... mas dá para alguém ir com facilidade lá no fim, conferir o tal pote de ouro.
                                         - Quem?! - todos arregalam os olhos.
                                         - O Lero-lero, ora bolas! Ele sabe voar! Dá para ele ir lá rápido!

                                          Mas o Lero-lero não quer nem saber:
                                          - Eeeu, nãão!! Eu, heim? Ainda se fosse um pote de milho ou de sementes, pode ser que tentaria. Mas já pensaram só, se eu me descuido e, em vez de apenas ir lá no fim,  de repente, sem querer, eu acabar passando por baixo do arco-íris?

                                          -Ah, ah, ah! - todos caem um riso geral! Já pensaram? Sair daqui um Lero-lero e voltar uma Lera-Lera? Ah! Ah!Ah!


A Galera Dez da Catland - 2000 -.Todos os direitos reservados.All rights reserved..

ORIZA MARTINS PINTO

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