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O Sumiço dos Gatos do Parque Trianon
 

 Capítulo 2
 

Fugindo da escola


 


    Renato e Beto dirigem-se para a quadra de esportes.
    – Xii, a chuva não vai demorar! É melhor a gente entrar, - comenta o Beto, fitando o céu.
    – E aí, Beto, que lance foi aquele de ficar ontem à noite lá no Fliperama? - pergunta Renato.
    – Ah, é que havia um “figura” lá, contando umas vantagens.
    – Quem, exatamente, conhecia? Homem? Mulher?  Conta melhor essa parada aí.
    – Um fulano lá, que estava mostrando uns bagulhos pro pessoal. Meu, um cara da pesada!
    – Eeehhh, isso não me cheira bem... Se for o que estou pensando... - preocupa-se Renato, balançando a cabeça. 
    – Desencana! Não rolou nada diferente pro meu lado, não!
    – Então, por que tanto interesse?
    – Curiosidade, só isso.
    – É, sei! Sei! Curiosidade, nesse caso, é o primeiro passo para se levar o carimbo de "otário" no passaporte! - Comenta Renato, com leve tom de sarcasmo.
   – Otário? Eu, otário?!...
   – É... otário! Não digo você... que eu saiba, pelo menos. Mas quem entra numa fria de se viciar, é otário! Está dando alimento aos tubarões, enriquecendo os bacanas, enquanto vai se ferrando...
    – Olha aqui, guarda essas tuas frases feitas para quem se impressiona com elas! – diz o Beto, ironicamente. – Pra gente poder sacar se temos que ficar longe do treco, precisamos saber reconhecer a coisa, primeiro. 
    – não deixa de ter razão, mas tem que ficar esperto também, né?

    Nisso, ao ouvir passos apressados vindos do corredor lateral do prédio escolar, os garotos se voltam e avistam a colega Bila, que, visivelmente alterada, passa em desabalada carreira, abraçando freneticamente a mochila.
    – Ei, ei, peraí, mina, calma!Que pressa é essa? – Renato tenta cercar a garota, que se desvia bruscamente, quase o atropelando. 
   – Sai da frente, Renato, preciso ir pra casa rápido!
   – Mas o que foi que aconteceu?
   – Depois eu te falo. Tiau!
  O rapaz corre e procura acompanhá-la, mas a colega, a estas alturas, já cruza o portão principal de saída dos alunos.

  Beto tenta alcançar os dois, querendo entender o que se passa.
   – Caramba, o dia está agitado por aqui, hoje, hein... 

   Bila, entretanto, atravessa a rua rapidamente e precipita-se em direção de sua residência, um sobrado estilo anos cinqüenta, dois quarteirões abaixo da escola.
   – Orra, meu... – murmura Renato, parado, mãos na cintura, vendo a garota sumir de vista. – Ela não quis nem saber de papo...
   – Ah... deve ser coisa de mulher, – emenda o Beto, debochando. – Vai ver que ela está com TPM, he, he... Você sabe: cólicas, nervosismo...
   – É, ou então, algum dos gatos dela ficou doente.
   – É isso aí, cara! A Bila "Selina Kyle" e seus bichanos! Ela coleciona gatos de todo tipo! Ai, ai, deve ter chaninho dodói, he, he... – zomba o Beto, fazendo micagens com as mãos.
   – Com certeza! Ih, Beto, olha o sinal!  Vamos entrar.
   – Putz! Agüentar uma dobradinha com a Dona Julieta, agora, vai ser dose...
   – Calma... piores dias virão... ah! ah! ah!

   Assim, terminada a aula vaga, Renato e Beto adentram o corredor que os conduz à sala de aula, desanimados com a perspectiva de encarar uma enfadonha aula de História, ao "estilo tradicional". Eles sabem muito bem que essa ênfase toda em conhecimento do tipo enciclopédico não os está levando a lugar algum. É incompreensível para esses garotos, membros de uma geração acostumada a ter todas as atuais ferramentas da era hi-tec à sua disposição, que ainda se dê prioridade somente à pura e simples enumeração de fatos, sem a competente abordagem dialética presente/passado, tempo/espaço. 

   – Dá um tempo, Beto!  Vou dar uma corrida lá na 8a. série para uma olhada na Carol!
   – Eeeehh, Renato, cuidado! O Mini-Me vai te pegar! 
   – Ah, o Isidoro? Ele só banca o durão pra impressionar a Diretoria. Esse inspetor não tá com nada.

   Renato sobe os degraus da escadaria, dois a dois, e, em segundos, pára diante da sala onde funciona a 8a. série.

   Apaixonado, não perde a menor oportunidade que tenha para ver Carol, demonstrando nos gestos e no semblante a felicidade que sente por haver conquistado uma das garotas mais dinâmicas do Colégio. 
   Carol, a menina de vastos e longos cabelos louros, dona de profundos olhos castanho-esverdeados, encantou-o não apenas pela rara beleza, mas sobretudo por sua personalidade, ao mesmo tempo curiosa e ponderada, dotada de senso crítico e inesgotável desejo de crescimento intelectual. 

   É hora de troca de professor, e a sala está uma zona total. Renato, com seu porte atlético, cabelos negros emoldurando o rosto bronzeado e iluminado por cativantes olhos verdes, chama a atenção das garotas da sala.
  – Renato! Gatão! - grita uma das alunas, com um olhar insinuante, no meio da barulhada.  – Carol, olha só quem está aqui! O clone do Tiago Lacerda!

 Rapidamente, Carol vai ao encontro de Renato.
  – Amor, cuidado, o Professor Elcídio deve chegar já,,já!
  – Ah, fofa! Eu vim me reabastecer. Um beijinho só...Uhnnn...
  – Tá bom, tá, mas vai, vai... – ela protesta levemente, antes de se decidir por deixar de lado momentaneamente o decoro acadêmico, em favor de algo mais sedutor. Afinal, arriscar é quase sempre algo excitante...
  – Uhmmm.. – continua Renato, prolongando as carícias na amada. – Olha, Carol, é sério. Agora há pouco, a Bila saiu correndo da escola, esbaforida. Não quis nem falar comigo.
  – É? – Carol franze o cenho, preocupada. Ela pediu dispensa?
  – Sei lá! Deve ter pedido, caso contrário amanhã vai visitar a sala da C.P. Ana Júlia.
  – Com certeza! Mas que será que houve?
  – Deve ter sido algo sério. Ih! Aí vem o Elcidão. Tiau. Beijinho. Uhhnnn!
  – Tiau! Vai, vai!

  O sisudo Professor Elcídio, que vem chegando para sua aula na 8a.série, acerca-se de Renato e olha-o de alto a baixo.
  – Bom dia, Professor, beleza? – Renato bate continência e reverencia, com ar maroto, o Professor – que entra lentamente e lhe lança um olhar fulminante.

  O rapaz desaparece escada abaixo e entra voando pela porta de sua sala, quase junto com a empertigada Professora Julieta, de "história tradicional".
   – Ops!... Bom dia, Prô! Por favor, tenha a bondade... - Renato, exibindo um sorriso cínico-sedutor, abre os braços, curvando-se e cedendo passagem a Dona Julieta.

 * * *

    A algazarra da classe de Carol vai diminuindo aos poucos. A aula de Matemática tem início, com a garota ainda absorta em pensamentos: as estranhas luzes do casarão... a saída intempestiva de Bila... 

   Eis um dia, de fato, atípico!

   Por qual razão, afinal, teria Bila saído rapidamente da escola, sem avisá-la? Afinal, são amigas inseparáveis...

   Carol resolve, então, passar na casa da amiga depois da aula, para trocar figurinhas, isto é, confidências. 


 
 
Não perca, no próximo capítulo! 
O motivo de Bila sair 
correndo da escola!
Mistério no Parque Trianon!
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Dicas de Leitura!

 

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Muito além do Pôr-do-sol...
(romance - indicado para maiores de 14 anos)

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